Lição 04: Ezequiel 8-11 – A Glória de Deus Se Retira do Templo | 1° Trimestre de 2026 | EBD PECC

PECC 1° Trimestre De 2026 | TEMA: EZEQUIEL – O Atalaia de Israel

Lição 04: Ezequiel 8-11 – A Glória de Deus Se Retira do Templo | 1° Trimestre de 2026 | EBD PECC

EBD PECC – 1° Trimestre de 2026

Lição 04: Ezequiel 8-11 – A Glória de Deus Se Retira do Templo | 1° Trimestre de 2026 | EBD PECC

EBD Pecc (Programa de Educação Cristã Continuada) – 1° Trimestre De 2026 |

Escola Bíblica Dominical :

SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Em Ezequiel 8 a 11 há 76 versos. Sugerimos começar a aula lendo, com os alunos, Ezequiel 10.1-22 (5 a 7 min.). A revista funciona como guia de estudo e leitura complementar, mas não substitui a leitura da Bíblia. Nesta aula, a ênfase recai sobre a santidade de Deus e as consequências de sua profanação. Inicie a explanação para explicar que o Juízo começa pela casa de Deus, usando as visões de Ezequiel para mostrar as abominações que ocorriam secretamente no Templo. Deixe claro para a turma que Deus exige exclusividade na adoração e não tolera a mistura do sagrado com o profano, como o culto a Tamuz ou a adoração ao sol. O momento mais grave da lição é a retirada gradual da glória do Senhor. Use essa imagem para levar os alunos a valorizar a presença de Deus entre nós, lembrando que, embora Ele prometa restauração através de um novo coração, Sua presença só permanece onde há santidade e temor.

OBJETIVOS   

Compreender que o juízo começa pela casa de Deus.
Saber que Deus exige exclusividade na adoração
Valorizar a presença de Deus entre nós.

Lição 04: Ezequiel 8-11 – A Glória de Deus Se Retira do Templo | 1° Trimestre de 2026 | EBD PECC

PARA COMEÇAR A AULA

Utilize uma analogia para introduzir o tema. Pergunte: “O que acontece com um corpo quando o espírito sai dele? Ou com uma casa quando a família vai embora?. Às respostas provavelmente incluirão ideias como “fica vazio”, “sem vida”, “perde o propósito”. Use essa imagem para explicar que a lição de hoje trata de algo ainda mais trágico: a retirada da presença de Deus do Templo, mostrando as terríveis consequências de se acostumar com o pecado e o risco de uma religiosidade sem Deus.

LEITURA ADICIONAL

A PARTIDA DA GLÓRIA
O trono – carruagem havia ficado na entrada do portão oriental do templo, tendo sobre si a glória de Deus (Ez 10.18, 19). Então, a glória de Deus partiu e repousou sobre o monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém. Ezequiel poderia ter escrito “Icabode” sobre o portão oriental, pois, de fato: “Foi-se a glória de Israel” (1 Sm 4,19-22). Contudo, Ezequiel viu a glória voltar, dessa vez para o novo templo que se erguerá no reinado de Cristo (Ez 43.1-5). Depois que o templo foi destruído em 586 a.C, a glória de Deus desapareceu da Terra e só voltou com o nascimento de Jesus em Belém (Lc 2.9, 32; Jo 1.14). Homens perversos crucificaram o Senhor da glória (1 Co 2.8), mas ele ressuscitou e voltou para o céu, na cidade de Betânia, que fica na encosta leste do monte das Oliveiras (Lc 24.50, 51; At 1.9-12). Um dia, Jesus voltará ao monte das Oliveiras (Zc 14.4) para livrar seu povo e estabelecer seu reino. A glória voltará! Quando a visão terminou, Ezequiel achou-se novamente em sua casa na Babilônia e contou aos anciãos e a outros exilados o que o Senhor o havia mostrado. Sem dúvida, alguns deles creram e oraram pedindo paz para Jerusalém, enquanto outros preferiram dar ouvidos às palavras mortalmente acalentadoras dos falsos profetas. Contudo, quatro anos depois (Ez 24,1), Ezequiel receberia a mensagem de que o cerco de Jerusalém havia começado. A cidade foi sitiada em 15 de janeiro de 588 a.C. Três anos depois (8 de janeiro de 585 a.C), um fugitivo chegaria à Babilônia com a notícia de que a cidade havia caído (Ez 32.21). A Palavra de Deus nunca falha. Livro: “Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento: volume IV, Profético” (Warren W. Wiersbe. Editora Geográfica Editora, 2006, p. 2205-226).

Texto Áureo
“Os querubins levantaram as suas asas e se elevaram da terra à minha vista, quando saíram acompanhados pelas rodas; pararam à entrada da porta oriental da Casa do Senhor, e a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles” Ez 10.19

Leitura Bíblica Com Todos Ezequiel 7.1-27

Verdade Prática

A glória de Deus se manifesta onde há reverência, santificação e arrependimento, mas se retira do templo ou coração no qual o pecado domina.

INTRODUÇÃO

Nos capítulos 8 a 11, o profeta nos conduz a um dos momentos mais trágicos da história espiritual de Israel. Ele é levado em espírito para ver, de forma progressiva, a retirada da glória de Deus do templo e de Jerusalém. O Senhor revela as abominações secretas que ocorrem dentro do templo e deixa evidente que a Sua glória não habita onde reina a idolatria. A presença de Deus só permanece onde há santidade, verdade e arrependimento.

I- A PROFANAÇÃO DO TEMPLO (8.5-18)

Ezequiel é conduzido por Deus ao interior do templo para testemunhar o que estava acontecendo por trás das aparências religiosas. Em vez de santidade e reverência, ele encontra abominações e idolatria em todas as partes — desde os portões do átrio até aos sacerdotes que deveriam conduzir o culto. Por isso, a glória do Senhor começa a se afastar.

1- Imagem de ciúmes na entrada (8.5) Ele me disse: Filho do homem, levanta agora os olhos para o norte. Levantei os olhos para lá, e eis que do lado norte, à porta do altar, estava esta imagem dos ciúmes, à entrada.

Logo na entrada do templo, havia uma imagem que provocava o zelo de Deus. O Senhor a chama de “imagem de ciúmes” porque, diante da aliança exclusiva que Ele fez com Israel, a idolatria representa traição espiritual. Aquilo que deveria ser um espaço para a manifestação da glória divina havia se tornado palco de afronta contra a santidade do Senhor. À imagem colocada junto ao altar demonstrava profanação do povo, tornando o sagrado comum. A presença dessa imagem num local de culto revelava que a idolatria já não era mais escondida, mas assumida. O povo se habituou com o que era ofensivo a Deus, perdendo o discernimento espiritual. Onde há mistura entre o santo e o profano, não pode haver glória de Deus. O altar, em vez de ser o centro da adoração exclusiva e verdadeira, agora teve um ídolo colocado na sua entrada, Isso mostra o quanto o povo havia perdido o temor do Senhor.

2- Culto a deuses falsos (8.14) Levou-me à entrada da porta da Casa do Senhor, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz.

O profeta é conduzido a outro ponto do templo e encontra mulheres chorando por Tamuz, uma divindade masculina, babilônica ligada à fertilidade e colheita agrícola. Esse tipo de ritual era emocionalmente intenso. Representava uma forma de culto pagão que se infiltrou nas práticas religiosas de Judá. Essas práticas não aconteciam fora do templo, mas dentro da Casa do Senhor. As mulheres se envolviam em rituais sincréticos, pagãos e sensuais como se fossem parte da fé e da adoração ao Deus único e verdadeiro.

3- Sacerdotes e anciãos idólatras (8.16) Levou-me para o átrio de dentro da Casa do Senhor, e eis que estavam à entrada do templo do Senhor, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do Senhor e com o rosto para o oriente; adoravam o sol, virados para o oriente.

A visão atinge seu ponto mais grave quando Ezequiel vê vinte e cinco homens – provavelmente representantes sacerdotais adorando o sol. Estavam de costas para o Santo dos Santos, no próprio átrio interior, local de sacrifícios e clamor. Essa posição, física e espiritual, simbolizava a rejeição à glória de Deus. Eles permaneciam no templo, mas seus corações estavam entregues a deuses estranhos. Adoravam a criação no lugar do Criador, invertendo completamente o propósito do culto. Antes disso, nos versos 10-12, Ezequiel já havia visto 70 anciãos oferecendo incenso a imagens de animais. Em vez de orientarem a nação ao arrependimento, os anciãos conduziam o povo a um culto abominável. A rotina religiosa foi mantida, mas sem glória. Essa é uma das mensagens mais fortes do texto: a estrutura pode permanecer, mas Deus não está presente. Quando os líderes dão as costas ao altar, a presença de Deus se retira.

II- A GLÓRIA DE DEUS SE RETIRA (10.1-22)

Após mostrar a corrupção do templo, o Senhor revela a Ezequiel, em detalhes, como a sua glória se afasta. À cena é solene e impactante. A presença de Deus, que antes enchia o Santo dos Santos, começa a se mover gradualmente. À retirada da glória não acontece de forma repentina, mas por etapas, demonstrando o juízo justo de Deus, mas também a sua longanimidade. Ele se afasta, mas o faz como quem lamenta.

1- O fogo do juízo de Deus (10.2) E falou ao homem vestido de linho, dizendo: Vai por entre as rodas, até debaixo dos querubins, e enche as mãos de brasas acesas dentre os querubins, e espalha-as sobre a cidade. Ele entrou à minha vista.

O homem vestido de linho, possivelmente um anjo com funções sacerdotais ou judiciais, recebe a ordem de pegar brasas de fogo debaixo dos querubins e lançá-las sobre a cidade. Essas brasas simbolizam o juízo de Deus sobre Jerusalém. Elas vêm debaixo do trono de glória, representado pelos querubins, e são lançadas como sinal de juízo. O fogo santo que antes purificava, agora consome. O fato de que as brasas saem debaixo dos querubins mostra que a santidade de Deus não tolera idolatria e hipocrisia. A presença divina que antes protegia agora é quem julga. Jerusalém, que deveria ser uma cidade santa, se torna alvo do juízo porque rejeitou a presença do próprio Deus.

2- À glória se desloca para a porta (10.4) Então, se levantou a glória do Senhor de sobre o querubim, indo para a entrada da casa; a casa encheu-se da nuvem, e o átrio, da resplandecência da glória do Senhor.

Neste momento, Ezequiel vê a glória de Deus se deslocando do Santo dos Santos para a entrada da porta. O resplendor da glória que enche o templo agora se move em retirada. O templo ainda está em pé, mas a presença está se afastando de modo visível e lento. Quando a glória se coloca à entrada da casa, ela parece aguardar uma resposta: arrependimento ou resistência. É uma pausa entre a graça e o juízo. Deus é longânime, mas sua paciência tem limite quando não há arrependimento.

3- A glória abandona o templo (10.18) Então, saiu a glória do Senhor da entrada da casa e parou sobre os querubins.

Finalmente, a glória do Senhor deixa a entrada do templo e se posiciona sobre os querubins, os mesmos que representam o trono móvel de Deus. Isso indica que o Senhor está partindo com toda a sua majestade. Ele não mais habita no templo de Jerusalém. A presença que outrora era central na vida do povo agora se ausenta por causa do pecado que não foi abandonado. Este é um dos momentos mais solenes da profecia de Ezequiel. O povo perdeu o essencial e não percebeu. Essa é a grande tragédia: seguir com as rotinas religiosas sem perceber que Deus já não está mais ali. Observe que no verso 15, Ezequiel afirma: Os querubins que se elevaram. São esses os mesmos seres viventes que vi junto ao rio Quebar, lá na Babilônia. A Glória de Deus que os judeus diziam ser exclusiva de Jerusalém e do templo, agora se manifesta bem longe, às margens do rio Quebar. Conforme Ezequiel 11.16: “Assim diz o SENHOR Deus: Ainda que os lancei para longe entre as nações e ainda que os espalhei pelas terras, todavia, lhes servirei de santuário, por um pouco de tempo, nas terras para onde foram.

III- A GLÓRIA DE DEUS VOLTARÁ (11.15-23)

A Glória do Senhor se afasta do templo e de Jerusalém, mas o Senhor promete um retorno, Deus promete restaurar o relacionamento com um povo purificado, com novo coração e nova disposição para obedecer. O exílio não será o fim.

1- Um novo coração e espírito (11.19) Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne.

Deus promete transformar profundamente o interior do Seu povo. O problema de Jerusalém não era apenas externo ou litúrgico, mas interno: corações endurecidos, insensíveis e rebeldes. A resposta divina não seria apenas correção, mas regeneração. Um coração de pedra é incapaz de amar, obedecer ou se humilhar. O Senhor, então, promete um coração novo — sensível, obediente. A expressão “espírito novo” aponta para a ação do Espírito Santo na renovação interior. Deus não quer apenas restaurar a estrutura religiosa de Israel, mas estabelecer uma comunhão verdadeira e duradoura com um povo transformado. Essa promessa é também messiânica e aponta para a nova aliança anunciada em Cristo, na qual o Espírito Santo habita no coração dos crentes.

2- Separação entre fiéis e infiéis (11.21) Mas, quanto àqueles cujo coração se compraz em seus ídolos detestáveis e abominações, eu farei recair sobre sua cabeça as suas obras, diz o Senhor Deus.

Nem todos receberão essa renovação. Deus deixa claro que os idólatras persistentes serão julgados segundo suas próprias obras. O Senhor faz distinção entre os que se arrependem e os que insistem na rebeldia. Aqueles que seguem os ídolos e rejeitam o chamado à mudança terão o seu próprio caminho como destino. O juízo será pessoal, proporcional e definitivo. Essa distinção mostra que a restauração não é automática nem coletiva; ela exige arrependimento. À graça é oferecida, mas não imposta. À aliança é gratuita, mas exige fidelidade. A palavra de Deus confronta os que se entregam à idolatria com a seriedade de suas escolhas. A promessa é gloriosa, mas é precedida por uma decisão. Seguir a Deus exige fidelidade, abandonando todo e qualquer ídolo.

3- A glória se afasta, mas voltará (11.23) A glória do Senhor subiu do meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade.

A visão mostra a glória de Deus deixando o templo e a cidade, parando sobre o monte, ao oriente. Mas Ezequiel é lembrado de que essa era a mesma glória que ele havia visto junto ao rio Quebar (Ez 1.1-3; 10.15, 22; 11.17). Isso confirma que a presença do Senhor não estava limitada a um edifício em Jerusalém, mas se manifestava também entre os exilados, longe do templo. O Deus da aliança é soberano e acompanha o Seu povo, ainda que em terra estranha. Os versículos 24 e 25 de Ezequiel 11 reforçam esse vínculo: “Então o Espírito me levantou e me levou na visão, pelo Espírito de Deus, à Caldéia, para os do cativeiro; e se foi de mim a visão que eu tivera, Então falei aos do cativeiro todas as coisas que o Senhor me havia mostrado” A mensagem é clara: a glória que deixou Jerusalém agora se revela entre os exilados. Não é o templo físico que garante a presença, mas a fidelidade ao Deus santo. A glória não é privilégio de lugar geográfico, mas acompanha os que respeitam a santidade do Senhor. À promessa, portanto, aponta para o futuro: a glória voltará a encher o templo restaurado (Ez 43.1-5), mas também antecipa a realidade maior da Nova Aliança, em que a presença de Deus habita no meio do Seu povo em todo lugar.

1- A palavra profética do Senhor (7.1) Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

Ezequiel inicia este novo oráculo com a expressão característica dos profetas: “Veio a mim a palavra do Senhor”. Isso destaca que o conteúdo da mensagem não provém do raciocínio humano, mas da revelação divina. A autoridade e a veracidade do discurso não se apoiam na eloquência do profeta, mas na procedência celestial da palavra que lhe foi confiada. Essa introdução solene legítima o que será declarado a seguir: uma denúncia pública da condição espiritual terminal da nação. A sentença se dirige à “terra de Israel”, o que aponta para o alcance nacional do juízo. Os “quatro cantos” expressam a totalidade da nação, indicando que nenhuma parte escaparia. Deus não está tratando de forma isolada com indivíduos ou classes específicas, mas com um povo inteiro que transgrediu sua aliança. À corrupção havia se espalhado, e a impunidade aparente era apenas a paciência divina em operação. Agora, porém, a longa tolerância chega ao fim, e o Senhor se manifesta para julgar com justiça aos que desprezaram seu nome.

2- O fim vem e é justo (7.3) Agora, vem o fim sobre ti; enviarei sobre ti a minha ira, e te julgarei segundo os teus caminhos, e porei sobre ti todas as tuas abominações.

O fim não é apenas anunciado, mas afirmado como iminente: “Agora vem o fim sobre ti”, À forma verbal aponta para um evento já em marcha. A ira do Senhor, tão frequentemente contida por misericórdia, agora será derramada sobre os que insistiram no pecado. O julgamento é moralmente justo — “segundo os teus caminhos” — e traz à tona todas as abominações praticadas. A aliança, tantas vezes desonrada, exige agora um acerto de contas. As abominações mencionadas abrangem idolatria, injustiça, falsidade e corrupção espiritual. O povo rejeitou a instrução divina, profanou o culto e desprezou a santidade do Senhor. Deus, então, não apenas julga, mas também expõe. O pecado não mais ficará encoberto. Ao declarar que colocará sobre o povo suas próprias abominações, Deus mostra que eles serão julgados com as armas que construíram. O mal praticado se torna o agente do castigo, revelando que o juízo de Deus é, ao mesmo tempo, consequência e resposta.

3- O fim vem e é urgente (7.6) Haverá fim, vem o fim, despertou- -se contra ti.

Com ênfase poética e dramática, Ezequiel reforça a certeza do juízo: “Vem o fim, o fim vem”. A repetição sublinha a urgência e a irreversibilidade do momento. O Senhor, que tantas vezes interveio para perdoar, agora se move para julgar diante da persistente dureza de coração. Deus encerra um período de rebeldia com uma intervenção direta. A falsa segurança do povo, baseada na presença do templo e em rituais vazios, será desmascarada. Quando a aliança é traída, o templo perde sua função, e Deus retira sua presença. À profecia não apenas denuncia, mas também alerta: o juízo é real, certo e iminente.

II- O CAOS RELIGIOSOS, SOCIAL E ECONÔMICO (7.7-13)

Neste segmento, Ezequiel aprofunda a gravidade da situação de Israel, revelando como o juízo divino atinge todas as estruturas da sociedade: religiosa, social e econômica. O pecado público e institucionalizado exige uma resposta completa da parte de Deus.

1- O colapso religioso (7.7) Vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; é chegado o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes.

O versículo anuncia a chegada de um tempo sombrio: o “dia do tumulto”. Esse “tumulto” não é um evento comum, mas um colapso profundo das estruturas nacionais. Os “montes”, locais tradicionalmente associados ao culto — tanto verdadeiro quanto idólatra — agora seriam cenários de desespero, e não de alegria. O texto desautoriza a ideia de que o templo, ou a religiosidade visível, seriam suficientes para evitar o juízo. Mesmo os locais que antes representavam segurança espiritual agora seriam abalados. A “ruína” que chega não é acidental, mas fruto da ação deliberada de Deus contra a persistente rebeldia. O tempo do juízo foi marcado soberanamente, e a resposta divina à impiedade não será adiada. Israel julgava que o “Dia do Senhor” traria libertação contra seus inimigos, mas agora percebe que esse Dia será contra ela. O juízo começa pela casa de Deus (1Pe 4,17).

2- O colapso social (7.11) Levantou- se a violência para servir de vara perversa; nada restará deles, nem da sua riqueza, nem dos seus rumores, nem da sua glória.

A violência, antes praticada pelos próprios habitantes de Judá, torna-se agora instrumento do juízo. A expressão “vara da perversidade” sugere que o próprio mal praticado retorna como meio de correção. Nada sobreviverá ao juízo: riqueza, influência, comércio, prestígio. Tudo será reduzido a ruínas. A estabilidade construída sobre injustiça é desfeita. A justiça divina é pedagógica. O povo havia transformado a prosperidade em arrogância. Em vez de reconhecer o favor do Senhor, usaram suas posses para alimentar o orgulho e a exploração dos vulneráveis. O juízo, portanto, atua como uma reviravolta.

3- O colapso econômico (7.13) Porque o que vende não tornará a possuir aquilo que vendeu, por mais que viva; porque a profecia contra a multidão não voltará atrás; ninguém fortalece a sua vida com a sua própria iniquidade.

O versículo retrata o colapso das relações comerciais e jurídicas em tempos de colapso nacional. O que foi vendido não será mais recuperado; os vínculos contratuais e sociais se tornam irrelevantes diante da sentença divina. O que antes se resolvia com negociação agora está fora do alcance humano. A sociedade que confiava no valor da propriedade e da estabilidade econômica agora vê tudo desmoronar. Mais do que perdas materiais, o texto fala da falência de toda esperança meramente humana, Nem o comprador, nem o vendedor — símbolos da vida cotidiana — terão como escapar, O último verso sela o destino: “ninguém conservará a sua vida”. A vida, dom supremo de Deus, será retirada como resposta à corrupção contínua. Só o arrependimento sincero poderá reverter esse quadro em níveis individuais. O que foi idolatrado — riquezas, posição, poder — é desfeito diante da santidade de Deus. À segurança econômica, sem justiça e fidelidade, torna-se inútil no dia do Senhor. O colapso revela que Deus confronta diretamente os ídolos que o povo criou.

III- A ANGÚSTIA DO POVO E LÍDERES (7.14-27)

Neste trecho final, Ezequiel descreve a reação do povo diante da chegada do juízo. Quando a presença de Deus se retira e os recursos humanos fracassam, resta apenas o pavor e o colapso total da nação.

1- O pavor e o desespero generalizado (7.18) Cingir-se-ão de pano de saco, e o horror os cobrirá; em todo rosto haverá vergonha, e calva, em toda a cabeça.

A cena descrita é de profundo desespero coletivo. O “pano de saco” simboliza lamento e humilhação, enquanto o tremor revela medo incontrolável diante do que está por vir. O povo, que antes zombava das advertências proféticas, agora é tomado por pavor. A vergonha substitui o orgulho nacional. As cabeças rapadas e os rostos desfigurados indicam luto, humilhação e confusão. A soberba dá lugar à calamidade. Essa angústia, porém, não é arrependimento. Trata-se de reação ao juízo, e não de contrição diante de Deus. Muitos lamentam as consequências do pecado, mas não o pecado em si. A tristeza descrita aqui é a do desespero, e não a da transformação. A dor física e emocional não se converte em conversão espiritual. O profeta mostra que o juízo de Deus não apenas atinge os bens e as instituições, mas também desmorona o interior do ser humano quando este rejeita a verdade.

2- A impotência dos ídolos e a ausência de socorro (7.19) A sua prata lançarão pelas ruas, e O seu ouro lhes será como sujeira; nem a sua prata, nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do Senhor; eles não saciarão a sua fome, nem lhes encherão o estômago, porque isto lhes foi o tropeço para cair em iniquidade.

Os bens materiais, em que o povo confiava, tornam-se inúteis. A prata e o ouro, que antes eram fonte de segurança, agora são jogados fora como lixo. No “dia do furor do Senhor”, nenhum recurso terreno poderá livrá-los. Nem riqueza, nem prestígio, nem poder terão valor. À fome e o vazio prevalecerão. O texto revela a futilidade da idolatria financeira e da confiança nas riquezas. Essa inversão de valores expõe como o povo utilizou os dons de Deus como instrumentos de corrupção. Em vez de honrarem ao Senhor com suas posses, usaram-nas como combustível para a idolatria e a injustiça. Agora, o que serviu de tropeço será sua condenação. A ausência de socorro evidencia que, quando o coração se apega aos ídolos, até os recursos lícitos se tornam laços. Somente a confiança em Deus pode sustentar no dia mau. Tudo o mais falhará.

3- O silêncio dos profetas, sacerdotes e anciãos (7.26) virá miséria sobre miséria, e se levantará rumor sobre rumor; buscarão visões de profetas; mas do sacerdote perecerá a lei, e dos anciãos, o conselho.

O colapso é completo. Líderes espirituais e civis estão em silêncio, sem direção. Profetas já não têm visão; sacerdotes não têm lei: anciãos não têm conselho. A presença de Deus, antes manifesta entre o povo, se retira, À aliança foi quebrada, e com ela se vai também a luz da revelação. Em meio à sucessão de rumores e tragédias, o povo busca resposta, mas encontra silêncio. A glória do Senhor já havia deixado o templo (cf. Ez 10), e agora o abandono é visível em todas as áreas da vida nacional. A ausência de direção é, em si, parte do juízo. Quando o povo despreza a verdade, Deus permite que seja entregue à confusão. A liderança falha porque perdeu o temor do Senhor. O texto evidencia o que acontece quando os fundamentos espirituais são removidos: a sociedade entra em colapso. Sem palavra, sem lei, sem conselho, o povo se desfaz. É nesse cenário que o exílio se torna inevitável. A única esperança será encontrada no futuro, quando o coração do povo for quebrantado e buscar novamente ao Senhor. O Fim Vem Sobre Jerusalém e Israel

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